Roger Ballen no Museu de Arte Contemporânea da USP

É crucial para a minha estética que minhas iRoger-Ballenmagens existam na realidade ambígua; um lugar que não é definido nem por documentação nem por fantasia.– Roger Ballen

Em sua primeira exposição individual na América Latina, “Roger Ballen: transfigurações, fotografias 1968-2012″ chega a São Paulo depois de ter passado pelo Rio de Janeiro e por Curitiba. A mostra cobre grande parte da produção fotográfica do artista e tem como objetivo divulgar seu trabalho que é pouco conhecido por nós. Nascido em Nova York em 1950, mudou-se para a África do Sul, local que ficou por mais de 30 anos. Geólogo de formação, dedicou-se a fotografia impactado pela cultura local.
As fotografias de caráter restrospectivo de Ballen investigam a condição humana, funcionando tanto como um caderno de anotações rápidas, quanto para construções ballenelaboradas. Diferente do preto e branco sutil das fotografias clássicas, suas imagens contém uma peculiar aspereza, não havendo concessões de ordem estética ou sentimental.

Em uma jornada atemporal e paradoxalmente contemporânea, Ballen aborda diferentes temas como a natureza, a cultuballen3ra, o corpo, a animalidade e a loucura.

28 MAR 2015 – 27 SET 2015

Entrada Gratuita
MAC USP Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – São Paulo-SP, Brasil
Horário de funcionamento:
Terça das 10 às 21; Quarta a domingo, 10 às 18 horas
Segundas: fechado

MAC USP Ibirapuera – Flieg fotógrafo

 

Flieg fotógrafo. Indústria, design, publicidade, arquitetura e arte na obra de Hans Gunter Flieg

029amp08Em cartaz até 29 MAR 2015
MAC USP Ibirapuera – 3º andar

Hans Gunter Flieg no Museu de Arte Contemporânea da USP

A história da fotografia moderna no Brasil ainda apresenta segmentos pouco estudados e mal conhecidos como é o caso da produção voltada à indústria, à arquitetura, ao design e à publicidade. O nome de Hans Gunter Flieg desponta nesse contexto por seu caráter pioneiro e pela excelência de sua contribuição para a profissionalização dessas áreas no Brasil nas quais atuou durante cerca de quatro décadas. Imigrante alemão de origem judaica, Flieg chegou ao Brasil em 1939, instalando-se na capital paulista, que nas duas décadas seguintes passaria por um processo de intenso desenvolvimento econômico e industrial. Foi, portanto, em um mercado de trabalho emergente que Hans Gunter Flieg deu início a suas atividades como fotógrafo, colocando-se a serviço de um empresariado que logo passaria a investir no campo da arte como forma de construir para si uma nova identidade cultural.

A prosperidade do pós-guerra no Brasil, especialmente no Estado de São Paulo, resultou na criação de importantes instituições culturais: Museu de Arte de São Paulo (1947), Museu de Arte Moderna de São Paulo (1948) e Bienal de São Paulo (1951). Não por acaso, Hans Gunter Flieg, que desde 1945 havia se estabelecido como fotógrafo profissional, seria comissionado para registrar também as atividades do circuito artístico paulistano na primeira metade da década seguinte. A documentação da primeira Bienal de São Paulo, que produziu a convite de Cicillo Matarazzo, foi seu primeiro trabalho na área. Destacam-se aqui os registros da demolição do belvedere do Trianon para dar lugar ao pavilhão da Bienal e dos espaços de exposição e obras, muitas das quais passariam mais tarde a integrar o acervo do MAC USP.

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O mesmo rigor com que fotografava peças e maquinários industriais foi aplicado por Hans Gunter Flieg ao registro daUnidade Tripartida, obra de Max Bill, premiada na primeira Bienal de São Paulo. A escolha precisa do ponto de vista, os contrastes de luz e sombra, as alternâncias entre reflexos e opacidades, permitem ao observador ter uma percepção quase tátil da escultura, em que pese o caráter bidimensional da cópia fotográfica. Não estamos diante de um simples registro, mas de uma interpretação da obra por meio da fotografia. Flieg nos ensina a deslizar os olhos pela superfície contínua da peça e enfatiza as conexões entre arte e tecnologia propostas por Bill, sem nos deixar esquecer da ligação indissociável que se estabelecera naquele momento no Brasil entre o capital industrial e o capital simbólico representado pelas artes.

Por fim, cabe mencionar que o edifício projetado por Oscar Niemeyer para as comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo, ocupado agora pelo MAC USP, é particularmente adequado para abrigar uma ampla retrospectiva de Hans Gunter Flieg, cujo acervo encontra-se hoje preservado no Instituto Moreira Salles, organizador com o MAC USP da presente exposição. O reencontro entre a produção fotográfica de Flieg e um dos lugares que melhor encarnou o ideário modernista na capital paulista é a oportunidade de refletirmos criticamente sobre o legado da fotografia moderna tomada, a um só tempo, enquanto atividade prática e projeção utópica.

Helouise Costa – Docente e curadora do MAC USP

 

Todas as exposições em cartaz acontecem no MAC USP Ibirapuera.

MAC USP Ibirapuera
Terça das 10 às 21 horas, quarta a domingo das 10 às 18 horas
Segunda-feira fechado
Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301
04094-050 – São Paulo – SP – Brasil
55 11 2648.0254
Entrada gratuita