10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

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Na quarta, 29 de julho, foi exibido em première mundial o filme de Marcelo Masagão, “Ato, Atalho e Vento” na abertura do 10º Festival de Cinema Latino-AmericaATO FALHO FESTIVAL DO MINUTOno de São Paulo.
O filme é fruto do encontro de um livro e 143 filmes produzidos nos 4 ou 5 cantos do  planeta. O livro é o “Mal estar na Civilização”, escrito por Freud. Em 2014 o filme participou do X Festival de Roma e do IDFAFestival Internacional de Documentário de Amsterdam. No dia 30 de Julho o filme tem estréia comercial no Reserva Cultural. O diretor afirma que “As coisas não saíram como havíamos planejado”, tendo está como sinopse deste intrigante filme. “Ato, Atalho e Vento” conta com 2.223 atores, 5.041 locações em 722 cidades tendo sido realizados 4.891 cortes. Segundo o diretor “promover o encontro de planos concebidos por diversos diretores é um jogo de juntar pedaços de tempo e espaço, alargando e desfazendo  sentidos.  É um filme entre-planos. Ou, um filme junta-planos.”
Encontros inusitados ocorrem no filme. No início, combinam planos de Fellini (La Nave Va), Angelopoulus (Um olhar a cada dia) e WinWender (Pina), Lucrecia Martel (Pântano), Elia Kazan (Uma rua Chamada Pecado), Rene Clair (Entracte), entre outros.

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Vídeo dos Alunos – Amélia

“Amélia” foi produzido pela equipe da Adriana Hall, Fernanda Toledo, João Fernando Ferreira, Maísa Rachman, Rafaela Livoratti e Richard Jin. O filme chamou bastante atenção não só pela qualidade da produção, mas também pelo tema forte e relevante para a faixa etária deles, tratado com a seriedade devida de um grupo que resolveu peitar o desafio de produzir um drama.

A história apresenta Amélia, uma garota frágil que é vista já na primeira cena tomando remédios. Convidada para uma HP na casa das garotas populares, Amélia aceita tudo o que lhe oferecem na festa, seduzida pela possibilidade de estreitar laços de amizade com as outras meninas. Caindo inconsciente pelo abuso de substâncias, ela acorda no dia seguinte desnorteada e com uma surpresa incrivelmente desagradável que vai lhe custar mais do que ela imaginava.

A produção foi séria e primorosa! Da escolha perfeita dos atores a atrizes para os papéis, passando pelo uso cuidadoso de figurino e objetos de cena, a edição de imagens mostrando a vista embriagada de Amélia, até a ótima escolha e edição das músicas. Destaque para a cena em que Amélia espera por dias por um contato das meninas da festa, ao som da música “Vampire’s Kiss” do John Gold. A letra da música merece ser pesquisada, porque cai como uma luva com os sentimentos evocados pela cena. Outro momento ótimo do filme é a chegada de Amélia em casa, para ser confrontada pelo pai furioso, interpretado pelo próprio pai da atriz Rafaela Livoratti (ao som de “Creep”, do Radiohead, ótima escolha para uma cena de inocência perdida). Imagine como deve ter sido importante a experiência de produzir essa cena!

Pode-se argumentar que “Amélia” é um filme de alerta para o uso de drogas. Ou talvez que levanta o mesmo alarme relativamente conservador que tem aparecido por aí sobre as HPs. Porém, mais do que isso, eu acho que ele é um alerta maior sobre pressão de grupo. Sobre a ingenuidade de acreditar que amizade (e principalmente respeito) podem ser conquistados por esses meios. O resto que é retratado no filme aparece mais como consequência nefasta disso.

Uma produção que merece ser vista, e que chamou a atenção até da turma de CPG do Colégio.

Vídeo dos Alunos – Arabella

Eu queria começa a postar os vídeos do semestre com o “Arabella” da Julia Leitner, Laura Guaratini, Mariana Boger, Mariana Shizue e Sofia Salles . A equipe, composta por integrantes que são muito interessadas em cinema, trabalhou muito bem para montar uma espécie de videoclipe duplo de músicas da cantora americana Melanie Martinez. A primeira metade do vídeo é fortemente influenciada pela música “Dollhouse”, pegando até alguns dos elementos do videoclipe oficial, mas agregando vários toques de autoria das meninas. A segunda metade, baseada na música “Dead to Me” que ainda não tem clipe, foi inteira de criação das meninas.

O vídeo conta sobre esta revolta de uma boneca em um quarto de menina, e como ela vai assassinando uma a uma das garotas que vem brincar na “tea party”, até transformar a última delas em boneca também.

Há na escolha das músicas e nos gestos de agressão executados pelas meninas (os de autoria delas e não inspirados pelo clipe oficial), uma expressão muito forte de adolescência. De quem cansou de ser vista como menininha, bonequinha perfeita, e quer romper com esse rótulo. E isso é maravilhoso de se ver em um vídeo de 9º ano, porque isso é a expressão pessoal delas. Enquanto a maioria dos grupos fez vídeos tímidos e “seguros”, temendo se expor para os colegas, elas foram MUITO corajosas ao usar um exercício de colégio para botar pra fora algo sensível assim. E vejam bem: essa coragem encontra ressonância nos outros adolescentes que assistem ao vídeo. Eles se identificam com isso, enquanto dão de ombros e esquecem os vídeos “seguros”. É o que torna o vídeo tão popular (ele rendeu às meninas o maior número de curtidas no fórum onde os vídeos foram postados).

Quanto à agressividade do vídeo, não se preocupem: é uma “revolta saudável” e não há violência real aqui. As atrizes trataram as cenas dos assassinatos com um cuidado até excessivo, para que ninguém se ferisse de fato. É aqui que eu gostaria de ter estado ao lado delas nas gravações, para dar às cenas a agressividade necessária sem machucar ninguém.

A produção muito bem feita contou inclusive com rascunhos nos sketchbooks sobre maquiagem e cabelo das personagens, e rascunhos da estética geral que elas pretendiam ter no vídeo.

Na minha opinião, foi uma das melhores produções do semestre, entre as minhas turmas (não pude ver ainda os vídeos das turmas que não têm aula comigo).